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Flores raras

Filho do sertão 
Da seca castigada 

Balançado em rede de armador 
Embalado pelo baião 

Sustentado por gogó 
Fortalecido no cuscuz 

Sol que queimou o fiasco
Fortalecido pela seca do sertão 

Deserto enfeitado por coroa de frade 
O cinza da seca
Que enfeita o nada

Terra sem floresta
Paisagem compacta de cactos

Espinhos cheios de vida
Seca desidratada a meia noite

Flores raras brotam
Em lugares impróprios.

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Vende-se flores mortas

Vende-se flores mortas Choro e gritos, em noites sem velha, nem velharia. Daqueles, que cavaram seus próprios túmulos, Tão fundo, quanto a alma daquele que cavou. Foi um só grito, Que será encaixado numa caixa de madeira, Amarrada em arrame farpado E cravadas em prego enferrujados. Faltará coveiro, Carregadores de caixões serão dispensados. Na caixa postal haverá vozes Que jamais serão escutadas. Incrédula, não conseguiu mais levar ninguém, Destruídas almas avisadas Corpos empilhados nas esquinas   Chefiadas em vida Toda flor carrega o estigma da morte, Quer seja da arrogância, quer seja despedida. A vala aberta sorriu sem máscara, À espera do último aconchego. De volta as partículas da existência. Que não foram cheiradas em vida Toda flor carrega o estigma da morte Quer seja da arrogância Quer seja despedida. Sobreviver é torna-se habite De corpos que não quero que me pertença. Flores com pétalas melancólicas ...

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