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Odes Triunfal

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, De vos ouvir demasiadamente de perto, E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical - Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força - Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro, Porque o presente é todo o passado e todo o futuro E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão, E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta, Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem, Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes, Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando, Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

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Vende-se flores mortas

Vende-se flores mortas Choro e gritos, em noites sem velha, nem velharia. Daqueles, que cavaram seus próprios túmulos, Tão fundo, quanto a alma daquele que cavou. Foi um só grito, Que será encaixado numa caixa de madeira, Amarrada em arrame farpado E cravadas em prego enferrujados. Faltará coveiro, Carregadores de caixões serão dispensados. Na caixa postal haverá vozes Que jamais serão escutadas. Incrédula, não conseguiu mais levar ninguém, Destruídas almas avisadas Corpos empilhados nas esquinas   Chefiadas em vida Toda flor carrega o estigma da morte, Quer seja da arrogância, quer seja despedida. A vala aberta sorriu sem máscara, À espera do último aconchego. De volta as partículas da existência. Que não foram cheiradas em vida Toda flor carrega o estigma da morte Quer seja da arrogância Quer seja despedida. Sobreviver é torna-se habite De corpos que não quero que me pertença. Flores com pétalas melancólicas ...

Dormência

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pare o pausa

Na minha época, De portas fechadas era um horror. Era onde escondia as coisas terríveis. E agora, É normal. Na rua é proibido ficar. Vamos viver entre quatro paredes. De volta ao refúgio. Segue a vida Sem descanso Não para De viver Jogo online não tem pausa.