“E
se eu fosse cego, e chegara à conclusão, ao cabo de cinco minutos com os olhos
fechados, de que a cegueira, sem dúvida alguma uma terrível desgraça, poderia,
ainda assim ser relativamente suportável se a vítima de tal infelicidade
tivesse conservado uma lembrança suficiente, não só das cores, mas também das
formas e dos planos das superfícies e dos contornos, supondo , claro está, que
a dita cegueira não fosse de nascença. Chegara mesmo ao ponto de pensar que a
escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da
luz, que os chamamos cegueira era algo que se limitava a cobria a aparência das
coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário,
ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que
devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias corisas e
seres, tornando-os , por essa maneira, duplamente invisíveis”. (Ensaio sobre a
cegueira. José Saramago).
Verão de Carnaval Teu riso é maresia, tua voz, melodia no vento, foram dias de sol e riso, instantes que viraram tempo. Entre olhares e toques, entre palavras e abraços, descobri que o agora é grande e cabe inteiro em nossos laços. Não sei o que o destino escreve, nem se há páginas por virar, mas sei que há encontros raros que a vida faz questão de guardar. Foi breve, mas foi intenso, foi troca, foi aprendizado, um pedaço bonito da história que o tempo ainda pode contar. Se o futuro nos trouxer de novo, seja como for, que seja bem, mas se formos só lembrança, que seja doce também.
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